NHEM PORÃ: MEMÓRIAS E RECEITAS
Faltam apenas duas semanas para deixar o La Criée, e já sinto a saudade antecipada: das conversas que aquecem, do trabalho que encanta, das tantas pessoas bacanas que cruzaram meu caminho por aqui.
É hora de abandonar o “nhem, nhem, nhem” e chutar a tristeza para longe, abraçando o “nhem porã”, tão mais produtivo e luminoso, ensinamento do Tupi que recebi de maru.dayunaam.
No almoço, mergulhei em um vídeo nascido de uma oficina sobre transmissão de saberes, onde jovens e suas avós se encontraram.
Um trabalho delicado e belo, revelando o cuidado da equipe na preservação da cultura alimentar. Ali, a força do elo entre gerações se tornou clara: a cozinha como espaço de aprendizado, afeto e memória.
Depois, preparei cuscuz e falei sobre a importância desse processo de transmissão — porque mais que receitas, compartilhamos valores, histórias e modos de existir no mundo. Em conversa com @Mariana Jost, lembramos sua passagem por Salvador e o encontro com Vovó Cici, uma das nossas principais Griots, guardiã de saberes e autora do livro Cozinhando Histórias.
Essa lembrança trouxe-me uma certeza serena: precisamos criar cada vez mais espaços para que os jovens se aproximem das nossas tradições culinárias.
Não basta preservar os saberes das mais velhas; é preciso convocar a nova geração a viver, experimentar e praticar esses conhecimentos. Só assim a cultura alimentar seguirá viva, reinventada e pulsante, presente em cada gesto, aroma e sabor.
O revoir.
NHEM PORÃ : SOUVENIRS ET RECETTES
Ce matin, la fine pluie sur le vieux port a mareonné mes yeux — pas de tristesse. Il ne reste que deux semaines avant de quitter le La Criée, et déjà je ressens une nostalgie anticipée : des conversations qui réchauffent, du travail qui enchante, de toutes ces personnes formidables croisées ici.
Il est temps d’abandonner le « nhem, nhem, nhem » et de chasser la tristesse, en adoptant le « nhem porã », lumineux et productif, enseignement du Tupi que j’ai reçu de maru.dayunaam.
À midi, je me suis plongé dans une vidéo née d’un atelier sur la transmission des savoirs, où jeunes et grands-mères se sont rencontrés. Un travail délicat et magnifique, révélant le soin de l’équipe pour préserver la culture alimentaire. Là, la force du lien entre les générations s’est imposée : la cuisine comme espace d’apprentissage, d’affection et de mémoire.
Ensuite, j’ai préparé du cuscuz et parlé de l’importance de ce processus de transmission — car plus que des recettes, nous partageons des valeurs, des histoires, des manières d’exister dans le monde. En dialogue avec @Mariana Jost, nous avons évoqué son passage à Salvador et sa rencontre avec Vovó Cici, l’une de nos principales Griots, gardienne des savoirs et auteure du livre Cozinhando Histórias.
Ce souvenir m’a apporté une certitude sereine : nous devons créer toujours plus d’espaces pour que les jeunes s’approchent de nos traditions culinaires. Il ne suffit pas de préserver les savoirs des plus âgées ; il faut convoquer la nouvelle génération à vivre, expérimenter, pratiquer. Ainsi seulement la culture alimentaire restera vivante, réinventée, vibrante, présente dans chaque geste, chaque parfum, chaque saveur.
O revoir.



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