CADERNO DE VIAGEM – 18 DE AGOSTO – MARSELHA
Hoje caminhei por bairros de comércio popular e também pela Rue Lodi, reduto da galera mais descolada. O comércio de roupas usadas tem aqui uma força cultural impressionante, e não se limita aos jovens: atravessa gerações, como se fosse parte do tecido urbano da cidade.
As docerias francesas são um espetáculo à parte. Suas vitrines lembram galerias de arte: cores delicadas, formas geométricas, minúcia de detalhes que encantam primeiro os olhos e só depois o paladar. Há uma sofisticação na leveza, no uso comedido do açúcar, no design que parece sussurrar para seduzir.
Diferentemente delas, as docerias árabes contam outra história: riqueza quase ostensiva, caldas que escorrem em excesso, pistaches que brilham sob o mel, especiarias que despertam sentidos adormecidos.
São vitrines que conquistam até mesmo um não convicto como eu — reflexo da presença árabe que pulsa em Marselha, essa cidade sempre marcada pelos encontros entre mares e culturas.
Mas a realidade, quando desviamos o olhar das vitrines, é bem menos doce. As ruas revelam um número crescente de pessoas sem teto, franceses inclusive.
A gentrificação acelerada no pós-pandemia redesenhou fluxos, acentuou desigualdades e tornou os contrastes ainda mais evidentes: entre o brilho das vitrines e a dureza do asfalto.
#maisafetomenoraçúcar
@Elcocineroloko
CARNET DE VOYAGE – 18 AOÛT – MARSEILLE
« Coco, Salu » — c’est ainsi, de façon affectueuse, que les Français se saluent.
Aujourd’hui, j’ai parcouru des quartiers de commerce populaire et aussi la Rue Lodi, repaire d’une jeunesse branchée. Le commerce de vêtements de seconde main a ici une importance culturelle impressionnante, et il ne se limite pas aux jeunes : il traverse les générations, comme s’il faisait partie du tissu urbain de la ville.
Les pâtisseries françaises sont un spectacle à part entière. Leurs vitrines rappellent des galeries d’art : couleurs délicates, formes géométriques, précision des détails qui séduisent d’abord les yeux avant même le palais. Il y a une sophistication dans la légèreté, dans l’usage mesuré du sucre, dans ce design pensé pour séduire en douceur.
À la différence de celles-ci, les pâtisseries arabes racontent une autre histoire : richesse presque ostentatoire, sirops qui coulent à profusion, pistaches qui brillent sous le miel, épices qui éveillent des sens endormis. Ce sont des vitrines qui séduisent même un non-convaincu comme moi — reflet de la présence arabe qui palpite à Marseille, cette ville depuis toujours marquée par les rencontres entre mers et cultures.
Mais la réalité, lorsqu’on détourne le regard des vitrines, est bien moins douce. Les rues révèlent un nombre croissant de personnes sans abri — Français y compris. La gentrification accélérée de l’après-pandémie a redessiné les flux, accentué les inégalités et rendu les contrastes encore plus évidents : entre l’éclat des vitrines et la dureté du bitume.
#plusdaffectionmoinsdesucre




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