BULLABESSE, TURFU E GUIMARÃES ROSA
Desde cedo, observo da minha sacada o burburinho do cais — o vai e vem constante de pessoas, barcos, vozes, peixes e expectativas.
Ontem à noite, a praça permaneceu viva até tarde: crianças correndo, casais apaixonados, mulheres com véus muçulmanos trançando cabelos como no Pelourinho.
O porto pulsa. Acolhe. Suaviza as tensões da cidade com o mesmo movimento ancestral do mar.
Foi então que me veio à lembrança Guimarães Rosa:
“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta...”
Curiosamente, a palavra "Bouillabaisse" vem do provençal bolhabaissa, formada por dois verbos:
— bolhir (ferver)
— abaissar (baixar o fogo)
Ou seja, literalmente: “ferver e depois abaixar o fogo.”
E talvez não haja definição mais precisa — nem para o prato, nem para a vida.
Primeiro, ferve-se o caldo com os peixes e temperos. Depois, baixa-se o fogo para que tudo cozinhe devagar, com tempo.
Como o porto. Como Marselha. Como a vida quando encontra seu ritmo.
A Bouillabaisse nasceu como um prato humilde, preparado por pescadores da região de Marselha com os peixes que não conseguiam vender — pequenos, cheios de espinhas, muitas vezes desprezados.
Cozidos com água do mar, azeite de oliva, alho e ervas, com o tempo foram ganhando tomates, açafrão e batatas.
Hoje, é um símbolo da cultura mediterrânea provençal, mas sua origem é profundamente popular e comunitária: feita com o que havia disponível e cozida lentamente para extrair o máximo de sabor.
Foi Axel Mbecha quem me apresentou o Turfu, um local com uma proposta tão interessante quanto saborosa.
A Bouillabaisse Turfu se apresenta como um projeto moderno, engajado e coletivo, que mistura tradição culinária, ecologia e inovação — uma leitura atual da cozinha provençal: viva, acessível e voltada para o futuro.
Bouillabaisse Turfu: o que é?
Trata-se de uma associação e espaço culinário localizado no Vieux-Port de Marselha, na Rue Pythéas, nº 1, que propõe uma versão acessível da tradicional bouillabaisse, servida no estilo street food, com preços entre 10 e 19 €.
Liderado pelo chef Christian Qi, o projeto aposta em ingredientes frescos comprados no mercado local, com uma cozinha baseada na pesca artesanal, servida para levar ou comer em pé.
A associação também oferece oficinas culinárias, visitas ao mercado de peixes, passeios de barco com refeição incluída, e ações de conscientização sobre pesca sustentável e biodiversidade marinha local.
Por que “Turfu”?
“Turfu” é o verlan (inversão de sílabas) de “futur” (futuro), uma gíria francesa. O nome evoca uma proposta culinária e cultural voltada para o porvir: unir saberes tradicionais da pesca e da cozinha provençal com inovação social e consciência ecológica.
Passeios no mar, encontros com pescadores, cientistas e cozinheiros, e o formato moderno mostram que o projeto é uma aposta em um futuro sustentável para a gastronomia de Marselha.
🕒 Horários e ambiente
O Turfu funciona às quintas, sextas e sábados (almoço e, ocasionalmente, jantar), e aos domingos no almoço — com variações conforme a estação.
O serviço é rápido, não há mesas, e o ambiente é informal, acolhedor, voltado à experiência de degustar algo fresco, bom e acessível.
⭐ Avaliações e experiências
Nota média: 4,1 a 4,2 de 5 em diversas plataformas.
Muitos elogiam a proposta acessível, o frescor dos ingredientes e o engajamento da equipe.
Algumas críticas mencionam que, em certos dias, o ponto do peixe pode variar ou que as porções são modestas — mas, no geral, os elogios predominam.
BOUILLABAISSE, TURFU ET GUIMARÃES ROSA
Depuis tôt le matin, j’observe depuis mon balcon le brouhaha du quai — le va-et-vient constant de personnes, de bateaux, de voix, de poissons et d’attentes.
Hier soir, la place est restée animée jusqu’à tard : des enfants qui courent, des couples amoureux, des femmes voilées tressant des cheveux, comme au Pelourinho.
Le port palpite. Il accueille. Il adoucit les tensions de la ville avec le même mouvement ancestral de la mer.
C’est alors que m’est revenu en mémoire Guimarães Rosa :
« La vie, c’est comme ça : elle chauffe puis elle refroidit, elle serre puis elle relâche, elle apaise puis elle agite… »
Curieusement, le mot "Bouillabaisse" vient du provençal bolhabaissa, formé de deux verbes :
— bolhir (bouillir)
— abaissar (baisser le feu)
Autrement dit, littéralement : « faire bouillir puis baisser le feu ».
Et peut-être n’y a-t-il pas de meilleure définition — ni pour le plat, ni pour la vie.
D’abord, on fait bouillir le bouillon avec les poissons et les aromates. Puis, on baisse le feu pour que tout cuise lentement, avec patience.
Comme le port. Comme Marseille. Comme la vie lorsqu’elle trouve son rythme.
La bouillabaisse est née comme un plat humble, préparé par les pêcheurs de la région marseillaise avec les poissons invendus — petits, remplis d’arêtes, souvent méprisés.
Cuits avec de l’eau de mer, de l’huile d’olive, de l’ail et des herbes, ils ont fini par être rejoints, avec le temps, par des tomates, du safran et des pommes de terre.
Aujourd’hui, elle est un symbole de la culture méditerranéenne provençale, mais son origine est profondément populaire et communautaire : faite avec ce qu’on avait sous la main, et mijotée longtemps pour en tirer le maximum de goût.
C’est Axel Mbecha qui m’a fait découvrir le Turfu, un lieu à la proposition aussi intéressante que savoureuse.
La Bouillabaisse Turfu se présente comme un projet moderne, engagé et collectif, mêlant tradition culinaire, écologie et innovation — une lecture contemporaine de la cuisine provençale : vivante, accessible, tournée vers l’avenir.
Bouillabaisse Turfu : c’est quoi ?
C’est une association et un espace culinaire situé sur le Vieux-Port de Marseille, au 1 Rue Pythéas, qui propose une version accessible de la traditionnelle bouillabaisse, servie en mode street food, à des prix allant de 10 à 19 €.
Dirigé par le chef Christian Qi, le projet mise sur des ingrédients frais achetés au marché local, avec une cuisine fondée sur la pêche artisanale, servie à emporter ou à déguster debout.
L’association propose également des ateliers culinaires, des visites au marché aux poissons, des balades en mer avec repas à bord, et des actions de sensibilisation à la pêche durable et à la biodiversité marine locale.
Pourquoi “Turfu” ?
Turfu est le verlan (inversion des syllabes) du mot futur, une expression de l’argot français.
Ce nom évoque une proposition culinaire et culturelle tournée vers demain : unir les savoirs traditionnels de la pêche et de la cuisine provençale avec l’innovation sociale et la conscience écologique.
Sorties en mer, rencontres avec des pêcheurs, scientifiques et cuisiniers, et format moderne montrent que ce projet est un pari pour un avenir durable de la gastronomie marseillaise.
🕒 Horaires et ambiance
Le Turfu est ouvert les jeudis, vendredis et samedis (déjeuner et parfois dîner), et les dimanches pour le déjeuner — avec des horaires qui varient selon les saisons.
Le service est rapide, il n’y a pas de tables, et l’ambiance est informelle, chaleureuse, axée sur l’expérience de savourer quelque chose de frais, de bon et d’accessible.




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