FESTIVAL DA SARDINHA: OS ROSTOS POR TRÁS DO SABOR E DA MEMÓRIA DE BÚZIOS
Por Mateus Santos Silva
Armação dos Búzios, RJ — Em meio ao aroma irresistível de sardinha grelhada e ao som das bandas locais que animam o Campo da SEB, o Festival da Sardinha e Frutos do Mar chega à sua 9ª edição com mais do que pratos típicos: ele carrega histórias vivas.
Por trás das 30 barracas que oferecem receitas tradicionais e sobremesas variadas, em algumas delas há mãos calejadas que conhecem o mar como poucos. São pescadoras, marisqueiras e cozinheiras que, há décadas, mantêm viva a culinária buziana com saberes passados de geração em geração. Eles não apenas alimentam os visitantes — eles alimentam a identidade da cidade de Armação dos Buzios.
“Esse festival é sobre quem somos. É sobre o que comemos, como vivemos e como celebramos nossa história,” afirma Mateus Santos, nativo de Búzios e filho de uma das expositoras da comunidade Caiçara. Para ele, o sucesso da festa não está apenas na estrutura ou na programação musical, mas na presença daqueles que fazem da sardinha um símbolo de resistência e afeto.
"Criamos um pequeno Estatuto reivindicando Mudanças na Organização do Evento visando uma abordagem mais equitativa na aquisição dos espaços cedidos pelo clube para os expositores para a comercialização dos pratos.
Este estatuto pode ser um divisor de águas e virá a equilibrar a relação do clube com a comunidade e com empresários interessados em explorar o evento na promoção de seus negócios. Já apresentamos o texto do Estatuto aos diretores da SEB e a próxima reunião será na segunda-feira, dia 11 de agosto, ainda sem um tema definido a ser debatido. Queremos organização e uma divisão justa entre quem vai levar a identidade local e quem vai vender seu negocio e sua marca dentro do evento" - Diz Mateus Santos.
Este Estatuto do Festival foi elaborado para reconhecer essa importância: os participantes que atuam de forma informal, sem marca comercial, e representam práticas locais querem isenção ou taxa simbólica. É uma forma de garantir que a festa continue sendo feita por quem a vive, e não apenas por quem a vende.
Mais do que um evento gastronômico, o Festival da Sardinha é um ritual coletivo. É onde o passado encontra o presente, e onde cada prato servido carrega não só tempero, mas memória. E enquanto os holofotes se voltam para os shows e visitantes, os verdadeiros protagonistas seguem firmes — discretos, mas essenciais.



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