MARSELHA AFRICANA
Gagny Sissoko, Nadjatie Bacar, Hugues Mbenda, Georgiana Viou, Siradji Rachadi, cozinheiros
Em Marselha, cuja lenda fundadora conta a união, selada por um banquete, entre uma bela autóctone e um navegador vindo de longe, as cozinhas africanas são preparadas diariamente nas casas das famílias e nos restaurantes. Por ocasião da Temporada Africa2020, Les grandes Tables convidaram cinco cozinheiros e cozinheiras marselheses para evocarem seus sabores e gestos da África:
"Na bouillabaisse, eu coloco inhames ou mandioca!"
Nasci na Costa do Marfim, de pais malianos, em uma família de ourives. Quando perdi meu pai, aos oito anos, voltamos ao Mali, para o interior. Éramos muito pobres, mas eu adorava estar perto da minha mãe, da minha tia e das minhas irmãs que pilavam. No entanto, era um universo interditado aos meninos: os homens estavam na forja de um lado, as mulheres na cozinha do outro.
Acho que minha mãe ainda não sabe que sou cozinheiro. Ela diria que isso não é trabalho, porque “homem não cozinha”!
Quando se fala em "cozinha africana", pensa-se no frango yassa, no "tiep" ou em outras especialidades muito conhecidas, mas cada país tem seu próprio patrimônio. Para o Mali, penso especialmente no tô ou lôu, uma pasta à base de farinha de milhete, sorgo ou milho que se encontra um pouco por toda a África Ocidental e Central, com nomes diferentes. Há também o lôssi, um cuscuz salgado típico da região.
Há também o tigué digué no, um molho de amendoim.
A cozinha africana é, muitas vezes, acusada de ser muito gordurosa, o que para mim é um preconceito.
Na minha aldeia, não havia óleo, não podia ser gorduroso! É a mesma coisa com os temperos, especialmente as pimentas: coloca-se elas inteiras nos molhos para perfumar, depois se retiram. Os condimentos variam, os mais picantes são servidos à parte.
Em todos os casos, o gesto típico da minha cozinha africana é o corte, obrigatoriamente feito à mão e com faca.
Natural de Nioro du Sahel, no Mali, Gagny Sissoko vem de uma família de joalheiros.
Aos 15 anos, chegou sozinho a Bamako, a capital do seu país. Começou a trabalhar com um artesão, produzindo panelas, potes e utensílios de cozinha, sem saber que um dia eles se tornariam suas próprias ferramentas de trabalho e que ele abriria seu próprio restaurante!
Hoje, Gagny Sissoko se inspira em suas viagens para desenvolver uma culinária inovadora com sabores surpreendentes e criatividade extraída de suas iguarias, desejos e descobertas.
Chegando a Marselha em 2012, desenvolveu seu negócio de restaurante e buffet com La Cuisine de Gagny, um chef particular, compartilhando sua culinária saudável e variada.
Em seu restaurante, Gagny oferece culinária sazonal, inteiramente "caseira", com produtos frescos de agricultura orgânica e/ou sustentável.
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¹ Pascal Blanchard e Gilles Boëtsch, Marseille porte Sud. Un siècle d’histoire coloniale et d’immigration, La Découverte et Jeanne Laffitte, 2005.
Fragmento dos Cadernos Les Cuisines Africains, n*57
Diálogos que podem ser encontrados na íntegra, em vídeo, no site lescuisinesafricaines.com.



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