Adoçar para Abater!

Que me perdoem os puristas da gastronomia, mas duas noticias no fim de semana, ativaram meus alarmes vermelhos sobre um tema polêmico, ou seja mais um, pois ultimamente a pressão tem sido alta, ecos e reflexos da pandemia.

Muitos me criticam por pautar temas políticos, ou de ordem de saúde pública, carregando na abrangência da gastronomia, de qualquer forma, simplesmente não consigo ver barreiras entre temas, onde o ato de comer por prazer, passa a ser uma problematização.

A primeira se refere a matéria do Jornal A Tarde, "Cresce o consumo de doces na pandemia, mas a moderação deve ser a regra", a matéria muito bem escrita pelo jornalista Yumi Kuwano, aborda, uma questão primordial, Porque é no doce que buscamos refúgio momentâneo. Quando estamos com alguma falta, existe uma tendência em tentar supri-la com comida, de preferência, doce ao paladar.

Depois de fazer inicialmente um bom relato histórico do açúcar no Brasil, dos ciclos da cana de açúcar, até chegar as influencias culturais portuguesas, suas técnicas, e grandioso receituário em nossa mesa, a matéria, que até então vinha analisando de forma criteriosa e despertando interesse, repentinamente descamba em promover algumas chefs e cozinheiras que lidam com a doçaria.

Fica a pergunta, é jornalismo, ou propaganda?

Realmente os sintomas da cegueira e do relativismo, vem imperando quando falamos sobre nossa relação com a qualidade de vida, a promoção da saúde, não seria para menos, temos exemplos suficientes da má gestão e as loucuras de um presidente genocida.

O período de isolamento e a incerteza quanto ao futuro da pandemia são fatores que vêm contribuindo para o aumento do estresse na população brasileira. O resultado disso é não apenas um crescimento dos problemas relacionados à saúde mental, mas também uma mudança de comportamento alimentar.

De acordo com dados da pesquisa ConVid, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFMG e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o consumo de alimentos saudáveis diminuiu durante a pandemia, passando de 37% para 33%.

Por outro lado, a ingestão de alimentos não-saudáveis — tais quais doces, congelados e embutidos — aumentou. Entre jovens adultos, na faixa de 18 a 29 anos, 63% está consumindo doces ou chocolates duas vezes por semana ou mais.

Outra questão que saltam aos olhos, é a nova campanha dos 100 anos de Leite Moça, que de forma desavergonhada e a critica, faz homenagem à mulher brasileira, apelando a memoria afetiva, e o mais cínico, é manter atrelada a imagem das mulheres a um conceito de alimento processado, infantilizado, recorrendo a velhos clichês sobre o feminino, e reforçando estereótipos sobre o feminismo é o velhos modelo heternormativo de inferiorização e imbecilização da mulher.

"O ideal de mulher recatada e do lar", e ao meu ver suscetível ao consumo fácil.

"Na lata, pela primeira vez na história, o produto mais tradicional da marca vai ceder o lugar da Moça para mulheres reais. A edição especial e ilustrada por Débora Islas vai chegar aos pontos de venda em meados deste mês."

A questão de foco, e que é necessária abordar, é que estamos vivendo em realidade limítrofe, 65% dos alimentos Processados que consumimos recebe adição de açúcar, o estimulo e a dependência das bebidas açucaradas pelos mais jovens, os impactos do aumento do consumo de alimentos processados e muito mais..


Leia mais:

Alimentos processados não são emancipadores da luta feminista.

Como a Nestlé se apropriou das receitas brasileiras 




Comentários

Postagens mais visitadas