PEDRA PRECIOSA

João Diamante desceu o morro, se tornou chef renomado e usa a gastronomia para inserção social em comunidades

"No morro, você aprende na marra"

Com apenas 29 anos, ele carrega o peso da representatividade nas costas. 



"O Alain Ducasse me perguntou uma vez, 'João, não vejo você reclamando de nada em comparação com gente que não fica um dia aqui, joga o dólmã e sai chorando.' Eu vou reclamar de quê?, disse a ele. Eu saí do morro e estava em Paris, aprendendo com um dos maiores chefs do mundo. Não há histórias como a minha no alto escalão da carreira gastronômica", relembra.

Quando João Augusto Santos Batista ainda era muito pequeno, sua mãe migrou da Bahia para o Sudeste, como tantas outras famílias em busca de oportunidade de trabalho. Foram morar na comunidade da Divinéia no Complexo do Andaraí, zona norte do Rio de Janeiro. Como a mãe trabalhava o dia todo, ele e a irmã mais velha se viravam com o almoço — ele dava um jeito de preparar algo fresquinho, mesmo sem supervisão de adultos.

"No morro, você aprende na marra. Não tem pai e mãe presentes, dando aquele apoio para a criança, porque eles estão trabalhando, estudando, na correria. Não quero que minha filha passe por isso, é claro, mas usei esse amadurecimento a meu favor na cozinha e na vida." Desde criança fazia "bicos" para ajudar no orçamento de casa: trabalhou como vendedor de produtos de limpeza, piscineiro, feirante e teve até uma lan house. Aos 19, entrou na Marinha.

Foi no serviço militar que conheceu uma cozinha industrial pela primeira vez e, como ajudante de cozinheiro, descobriu seu talento na gastronomia. Dali, João traçou o plano para construir uma carreira.

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https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/alimentacao-causadores---joao-diamante/#page3


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