FERMENTADOS EM ÁFRICA: UM SABER VIVO EM MOVIMENTO

Essas práticas não são apenas técnicas de conservação: são expressões de cultura, espiritualidade, coletividade e resistência. São alimentos vivos, que nos conectam com o tempo, o território e os ancestrais.

No vídeo do @Haile_Retour_en_Afrique, trouxemos o kombucha a 1 centavo como gesto simbólico: um retorno às raízes fermentadas, uma provocação ao mercado global e uma celebração dos saberes africanos. 

O kombucha, tão valorizado no Norte global, encontra sua ancestralidade no Sul – e retorna como pergunta: o que foi que esqueceram de valorizar?

É tempo de olhar para os fermentados africanos com o respeito que merecem – não como curiosidade exótica, mas como fundamento da vida e da culinária ancestral.


Os alimentos fermentados tradicionais são feitos por processos anteriores ao registro histórico escrito e que empregam um número relativamente pequeno de espécies de bactérias, leveduras e fungos.


A comida tradicional fermentada como uma iguaria especial é um dos elementos da diversidade culinária encontrada em muitas regiões do mundo.

Segundo Fernando Carvalhaes “A indústria foi muito eficiente em convencer as pessoas de que alimentos com a acidez e com o cheiro característicos dos fermentados significariam comida estragada”.


"Há sentimentos, lembranças de colheita e facilidade com minha avó trabalhando no campo e meu pai cozinhando.

Há uma memória de não gostar deles; há uma memória de vergonha em comer minhas comidas tradicionais com pessoas que achavam que sua comida fedia, ou parecia engraçada, ou era estranha, e internalizava isso.” 


Este relato da agricultora americana Amirah Mitchell, revela à forma como foi construído sistematicamente, o discurso preconceituoso sobre as técnicas usadas pelos povos negros, no esteio do pensamento Eugenista, vigente na época pela cultura Estadonidense, que não poupou os usos e costumes, da sanha higienista também sob nossa culinária tradicional, pelo candomblé, no uso da fermentação de alimentos, que todavia seguem fazendo parte de muitos pratos e bebidas, como o Aluá, o próprio Acarajé, o milho fermentado do Acaça, dentre outras preparações.


Também não podemos deixar de mencionar o resseentimento de alguns cronistas como Luis dos Santos Vilhena, que, em suas críticas mordaz aos costumes negros da época, a falta de higiene e de água em boas condições de uso, ajudou a difundir, e cristalizar uma ideia preconceituosa, de desprezo e repulsa sobre a cultura, os hábitos e técnicas alimentares dos grupos étnicos africanos na Salvador oitocentista.

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