PAA TRANSFORMA VIDAS E COMBATE A FOME EM COMUNIDADES INDÍGENAS DA BAHIA

Geração de renda e oportunidades, acesso a alimentos e impacto ambiental positivo estão entre os benefícios relatados pelo coordenador do programa Mais Parentes nas Aldeias




Foto Roberta Aline

"Não tínhamos nada para comer.” A frase, dita por uma mãe de cinco filhos, resume a realidade enfrentada por comunidades indígenas da Bahia antes da chegada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O relato foi feito por Josenildo Brito, coordenador executivo do programa Mais Parentes nas Aldeias da Conafer Brasil, durante reunião com o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, nesta quinta-feira (13.03), em Brasília.

A situação era crítica. Famílias inteiras passavam dias sem alimentos básicos, como feijão e carne. “Encontramos comunidades carentes e com muita fome”, relatou Josenildo. “A luta pela sobrevivência era diária.”

Com a implementação do PAA, a realidade começou a mudar. O programa fortaleceu a geração de renda, garantiu segurança alimentar e trouxe esperança para quem já não via futuro. “O PAA acabou com a fome em muitas comunidades”, lembrou Josenildo.

O PAA não só alimenta, mas também fortalece nossa cultura e nossa economia”

Josenildo Brito, coordenador executivo do Programa Mais Parentes nas Aldeias

Histórias como a da mãe que alimentou os filhos com a cesta do PAA resume como era a realidade de algumas comunidades indígenas. “Ela nos disse que não teria o que comer naquele dia”, contou Josenildo. “Quando a cesta chegou, ela agradeceu a Deus e a todos nós. Aquele alimento durou 15 dias.”

Impacto além da alimentação

O PAA não só combateu a fome, mas também gerou renda e oportunidades. Mulheres que mal conseguiam sustentar suas famílias agora realizam sonhos. “Elas estão construindo casas, colocando os filhos na universidade e comprando eletrodomésticos. O PAA deu dignidade”, destacou Josenildo.

Nas escolas, o café da manhã passou a ser uma realidade. Crianças que chegavam desanimadas e com fome agora têm energia para estudar e brincar. “Elas consomem iogurte produzido pela comunidade local, polpa de frutas, bolo, melancia e banana, tudo produzido pelo seu próprio povo”, explicou.

Foto: Divulgação / MDS

O programa também trouxe benefícios ambientais. Em comunidades onde o desmatamento era uma prática comum para sobrevivência, o PAA reduziu a destruição da mata em 80%. “Antes, as pessoas só viam a floresta como fonte de artesanato. Agora, elas têm alternativas”, afirmou Josenildo.

A secretária indígena da Prefeitura Municipal de Santa Cruz Cabrália (BA), Taiane Santo, destacou o potencial do PAA para transformar vidas. “No município, temos 14 aldeias que podem se beneficiar do programa. Como secretária, busco parcerias e apoio para desenvolver projetos”, relatou. 


Ela ressaltou a importância da documentação para garantir recursos. “Não queremos desmatar, queremos cuidar da terra. Precisamos de projetos escritos para obter apoio. A oralidade é importante, mas a escrita é essencial.”


O ministro Wellington Dias reforçou o compromisso do governo com o PAA. “No ano passado, compramos cerca de R$ 38 milhões em alimentos de comunidades indígenas. Nosso objetivo é garantir a chegada de alimentos e estimular projetos de produção, gerando renda e autonomia”, explicou.


Wellington Dias destacou que o PAA valoriza a compra de alimentos da mesma região, beneficiando produtores locais e quem precisa. “Temos um edital da Conab aberto. Quem produz pode vender, e quem precisa pode receber. Esse modelo fortalece a economia local.”

Para Josenildo Brito, os resultados do PAA são inegáveis. “Nosso cacique nunca viu um projeto trazer tanta mudança. O PAA não só alimenta, mas também fortalece nossa cultura e nossa economia”, finalizou.

Também participaram da reunião a secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Lilian Rahal; o diretor de Projetos e Ações Integradas Para os Povos da Conafer Brasil (BA), Antonio Manoel da Silva; o cacique Suruí Pataxó; presidente do Conselho de Caciques do Território Pataxó Barra Velha Sul da Bahia (BA), Wellington Ribeiro de Oliveira; o vice-presidente da Associação Comunitária Indígena Pataxó da Aldeia Meio da Mataacipamm, Território Barra Velha (BA), Geremias Barreto Pereira; do Instituto Akuâ Pataxó (BA), Marivaldo Braz Brito; o cacique da Aldeia Boca da Mata Território Pataxó Barra Velha (BA), Edir Pataxó.

PAA

O PAA realiza a compra direta de alimentos de agricultores familiares, sem necessidade de licitação e os destina a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, bem como à rede socioassistencial, equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional e à rede pública e filantrópica de ensino. O PAA tem tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, gerando emprego, renda e desenvolvendo a economia local, e de promover o acesso aos alimentos, contribuindo para reduzir a insegurança alimentar e nutricional.

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