TRAMA ANCESTRAL ARTISTA ARGENTINA GANHA FAMA INTERNACIONAL COM TECELAGEM FEITA A PARTIR DE UM BROMÉLIA

Uma lenda dos wichís, povo indígena que vive na parte argentina da região do Chaco, conta que no princípio as mulheres eram estrelas. Quando queriam visitar a Terra, elas lançavam fios feitos a partir de uma fibra extraída do chaguar – como os indígenas da região denominam a bromélia.

Os wichís dizem que esse processo durou por muito tempo, até ser interrompido por homens que cortaram os fios enviados do céu. Desde então, as mulheres passaram a habitar a Terra.

Para que não se rompa o fio que a liga à natureza e aos seus antepassados. Ela cria obras têxteis de cores vibrantes, feitas com fios de chaguar. Trata-se de uma técnica tradicional, passada de geração em geração pelos wichís, o povo de Alarcón. As suas obras vêm ganhando o mundo.

Alarcón utiliza a técnica tradicional de tecelagem com fibras de chaguar, uma planta nativa semelhante à bromélia, para criar obras têxteis de cores vibrantes. Essas técnicas são transmitidas de geração em geração entre os Wichí. Seu trabalho ganhou reconhecimento internacional, levando-a a expor na Bienal de Veneza, um dos eventos de arte mais prestigiados do mundo. Além disso, ela foi a primeira artista Wichí a receber um prêmio no Salão Nacional das Artes na Argentina.

Através de sua arte, Alarcón busca preservar e promover a cultura Wichí, destacando a importância de manter vivas as tradições e técnicas ancestrais de seu povo.

Claudia Alarcón é a primeira artista Wichi a receber um Prêmio no Salón Nacional de las Artes, na Argentina. O Salão ocorre há 110 anos no Palais de Glace em Buenos Aires, e a artista foi premiada na categoria têxtil, em dezembro de 2022, com a obra “Ifwala lha I” (Resplendor do sol).

Também em 2022, Claudia Alarcón recebeu o prêmio aquisição da Coleção Ama Amoedo na Feira de Pinta de Miami pela sua obra “El ojo de los ancestros” (figura 2) e teve uma de suas obras compradas pelo Museu de Arte Contemporânea de Salta (Argentina), sendo também uma das primeiras vezes que a produção têxtil de uma artista Wichi está em uma coleção de uma instituição que divulga arte contemporânea. A obra pertencente a coleção é a “De lo ancestral a lo futuro”.

A artista usa pontos tradicionais do seu povo e a fibra chaguar (Bromelia serra) para a construção de seus trabalhos e ganhou destaque pela sua produção agora em 2022. Ela vive em sua comunidade, onde o tecer é passado de geração em geração, sendo que ela aprendeu com sua vó, mãe e tia; e agora suas filhas também tecem. 


O Chaguar é uma fibra vegetal obtida de algumas espécies de bromélias do gênero Bromelia, nativas da América do Sul, especialmente da região do Chaco, que abrange partes da Argentina, Paraguai e Bolívia. Essa fibra tem grande importância cultural e econômica para povos indígenas, como os Wichí, que a utilizam na confecção de tecidos, redes, bolsas e outros artefatos.

Características do Chaguar:

Origem: Fibra extraída das folhas de bromélias selvagens.

Processo de obtenção: As folhas são colhidas, secas, batidas e fiadas manualmente para obter os fios.

Uso tradicional: Os povos indígenas trançam a fibra para confeccionar tecidos rústicos e resistentes.

Resistência: O chaguar é altamente durável e resistente à umidade.

Além do seu valor artesanal, o chaguar também é símbolo de identidade e tradição, sendo um material fundamental para as mulheres Wichí, que perpetuam seu uso através da transmissão oral e prática manual.



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