NIGÉRIA 🇳🇬 BAHIA/BRASIL🇧🇷

O akara, um bolinho de feijão-fradinho frito, é um clássico da culinária de rua nigeriana. Seu equivalente no Brasil, o acarajé, tornou-se um dos símbolos mais marcantes da culinária baiana, trazido pelas mãos das mulheres africanas escravizadas. No contexto religioso do Candomblé, o acarajé se transformou em uma oferenda sagrada a orixás como Iansã, enquanto na Nigéria o akara segue presente na alimentação cotidiana e nos mercados de Lagos.
A culinária nigeriana é vibrante, rica em especiarias, grãos e técnicas ancestrais, e essa influência se reflete fortemente na Bahia. A relação entre os dois territórios é marcada por ingredientes, modos de preparo e tradições alimentares que mantêm vivas as raízes africanas na comida do dia a dia.
1. Mercados e abastecimento alimentar
Nos mercados de Lagos, como Balogun e Mile 12, encontram-se os principais ingredientes da culinária nigeriana—inhame, óleo de dendê, quiabo, pimentas, folhas amargas e peixes secos—vendidos em abundância. De maneira semelhante, o Mercado de São Joaquim, em Salvador, reflete essa estrutura, oferecendo azeite de dendê, feijão-fradinho, quiabo, folhas alimentícias e mariscos.
Ambos os mercados são espaços de troca de saberes e práticas comunitárias, onde as mulheres desempenham um papel central na distribuição e comercialização dos alimentos.
2. Pratos e ingredientes compartilhados
A relação entre as cozinhas da Nigéria e da Bahia fica evidente nos pratos e ingredientes tradicionais compartilhados:
- Acarajé e Akara: O acarajé baiano tem origem direta no akara nigeriano—bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê. Em Lagos, ele é um alimento de rua comum, servido com pap (mingau de milho) ou pão.
- Caruru e Ila Alasepo: O caruru baiano tem semelhança com o Ila Alasepo, ambos preparados com quiabo e azeite de dendê.
- Efó e Efó Riro: O Efó Riro, prato nigeriano feito com folhas refogadas, camarão seco e dendê, lembra receitas baianas que utilizam folhas alimentícias tradicionais, como taioba e bredo.
- Ebá e Pirão: O Ebá, massa de farinha de mandioca consumida na Nigéria, tem um paralelo forte com o pirão baiano, ambos servindo como acompanhamentos para ensopados.
3. O uso do dendê e a ancestralidade alimentar
O azeite de dendê é um elo fundamental entre as duas culinárias. Na Nigéria, ele é base de pratos como Obe Ata (ensopado de pimentão e tomate) e Banga Soup (ensopado de sementes de dendê). Na Bahia, aparece em pratos como vatapá, moqueca, caruru e efó.
Além do sabor, o dendê carrega um significado espiritual profundo, sendo sagrado tanto nos rituais iorubás quanto no Candomblé, onde é utilizado em oferendas e cerimônias religiosas.
4. Alimentação coletiva e rituais
Na Nigéria, a alimentação coletiva tem um papel social e espiritual, com pratos como Jollof Rice (arroz temperado) sendo preparados para grandes encontros. Na Bahia, esse mesmo princípio se manifesta no Caruru de Cosme e Damião, onde a comida é feita em grandes quantidades para ser distribuída.
5. Presença das mulheres na transmissão dos saberes
Nos mercados de Lagos e Salvador, as mulheres são as guardiãs da tradição alimentar, responsáveis pela venda e preparo dos alimentos. Elas desempenham um papel fundamental na transmissão dos conhecimentos ancestrais, garantindo a continuidade dos sabores e práticas culinárias que resistiram à colonização e à globalização.
6. Fortalecendo a conexão Bahia-Nigéria
A relação entre Bahia e Nigéria não é apenas culinária —ela é parte de uma continuidade histórica da resistência negra, onde a comida se torna um símbolo de identidade e pertencimento.
Podemos pensar em estratégias para fortalecer essa conexão, promovendo:
- Maior visibilidade para a ancestralidade alimentar africana na Bahia.
- Trocas culturais entre cozinheiras baianas e nigerianas.
- Eventos e festivais que celebrem a culinária afro-diaspórica.
- Projetos educacionais que aprofundem o conhecimento sobre as influências africanas na alimentação brasileira.
O fortalecimento desses laços pode reforçar a importância da culinária como um espaço de memória, resistência e celebração da cultura afrodescendente.
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