Destiladores do licor ancestral Indiano Feni, querem torna-lo reconhecido internacionalmente.

Cinco séculos depois do feni, começou a ser feito um licor fermentado forte, impróprio para todos, uma nova geração de destiladores de Goa quer torná-lo moda no mundo todo, mas primeiro é preciso convencer os índios a bebê-lo.

O nome tradicional dessa bebida é Feni , que em sânscrito significa espuma (por causa das bolhas que se fazem quando ela é agitada), e uma das marcas com maior reputação no país é a Cazulo, que significa vagalume. Para os fabricantes da bebida, ao consumir a Cazulo, a pessoa desperta uma sensação de aquecimento que irradia brilho, remetendo ao inseto brilhante.

Este licor é produzido a partir da maçã de caju. É o pseudo fruto do cayú ou cajueiro, também conhecido como merey, caju, cajueiro, cajueiro, caguil ou pepa e nativo da América Central.

Durante décadas, o feni caiu em desgraça em Goa porque os jovens preferem bebidas espirituosas estrangeiras. Para sacudir os costumes, a destilaria Cazulo propôs-se a inventar cocktails suaves para o paladar à base deste álcool que produz segundo métodos centenários.

“Queria espalhar o know-how tradicional para uma clientela moderna”, explica Hansel Vaz, dono da destilaria.

O licor é produzido de fevereiro a maio, durante a época do caju. A tradição exige que apenas as frutas que caem no chão estejam maduras o suficiente para fazer feni.

Destilarias modernas usam moedores de metal para extrair o suco para fermentação.

Já no Cazulo, o caju, sem a castanha, é esmagado com os pés e recolhido em um recipiente de pedra escavado no solo.

Especificamente, um trabalhador agrícola descalço pisa na fruta até que o suco seja extraído, que finalmente cai em potes de barro subterrâneos.

A qualidade era tradicionalmente medida observando-se o tamanho das bolhas que se formavam quando ele era derramado em um copo. Hoje, os destiladores usam um bafômetro ou tomam um gole.

- Virtudes medicinais -

Historicamente, o licor teve um papel importante na sociedade goesa, depois que os portugueses trouxeram a castanha de caju para a colônia no século 16, segundo Biula Pereira, que escreveu um livro sobre a bebida.

"Feni era usado em todas as ocasiões, em todos os ritos de iniciação. Também tinha uma finalidade medicinal como remédio para resfriados e febre", disse ele à AFP.

O avô de Hansel Vaz bebia diariamente, mas no século XXI os jovens goianos preferem o gin e o mezcal.

Vendo esses licores tomarem o mundo de assalto, Vaz, um ex-geólogo que trabalhava no exterior, sentiu a necessidade de ressuscitar o negócio da família e "colocar os feni na moda".

“Trata-se de expressar a nossa identidade cultural”, explica o jovem de 38 anos à AFP sobre os seus planos de criar um mercado de feni de qualidade, engarrafado e fabricado em Goa.

O mesmo orgulho local impulsiona outras empresas feni.

O diretor da destilaria Madame Rosa Mac Vaz (não parente de Hansel) quer acabar com a "ressaca colonial" que leva alguns índios a desprezar os produtos locais.

Ele o testou aos 23 anos, por isso está ciente de que vai demorar um pouco para convencer novos clientes.

No Cazulo, o cliente é convidado a acompanhar o processo de fabricação do feni antes de degustá-lo puro ou em coquetéis à base de frutas.

Os esforços parecem estar valendo a pena.

Em uma recente sessão de degustação no Madame Rosa, a empresária Shamina Shamji, que nunca se interessou por feni porque era "muito ácido, muito forte", gostou de bebericar um coquetel de manga com feni.

"É claro que ele iria pedir em um bar", disse ele à AFP.

- Preserve a essência -

As marcas Goa Cazulo, Big Boss, Madame Rosa ou Kazkar feni estão focadas principalmente em um mercado crescente de índios cosmopolitas e aventureiros.

Madame Rosa já exporta para oito países, entre eles Estados Unidos, Austrália e Emirados Árabes Unidos. Ela produz até 5.000 caixas de feni por ano sob diferentes marcas, e cada garrafa custa 1.500 rúpias (US $ 20, 17 euros).

Alguns destiladores temem que a produção industrialize e prejudique a própria essência do feni que estão tentando preservar.

"O cajueiro (nome científico Anacardium occidentale L.) é uma planta tropical originária do Brasil e que pertence a família Anacardiaceae. Apesar da distribuição da espécie pelo país, a maior produção de caju está concentrada nos estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia.

 Os portugueses levaram a planta para a Índia, entre 1563 e 1578, onde ela se adaptou extremamente bem. Depois da Índia foi introduzida no sudeste asiático, chegando à África durante a segunda metade do século XVI, primeiro na costa leste e depois na oeste e por último nas ilhas."

“Não se trata de colocar um rótulo chique e ganhar dinheiro rápido”, insiste Hansel Vaz de Cazulo, que exporta para América do Norte, Sudeste Asiático e Europa.

“É artesanato tradicional. Não pode ser produzido em massa”, frisou.

Fonte: Portal Swissinfo.ch 

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