O homem nu frente ao espelho, busca seu corpo, e não o vê, atormentado com a inusitada situação, observa em seu rosto um sorriso fora de lugar, desconectado com o momento, tenta desesperadamente retirar essa expressão descabida,

ao tempo, suas tatuagens já não lhe pareciam inscrições essenciais, eram etiquetas, rótulos, códigos de barra, seriavam apenas, um apego, sem vida, em seu corpo nu, e apagado frente ao espelho.

o homem já não é ele mesmo, pensa...

seu perfil alegre, dá lugar, à uma descrença profunda, algo lúgubre.

vê seus órgãos, como instrumentos que já não pertencem ao seu corpo, neste mesmo instante, os observa como máquinas que disparam gatilhos autômatos, sem sentido, imediatamente... percebe o celular, como seus olhos e ouvidos, fixando cada imagem e som, como que fossem perder-se naquele mesmo instante, inspira...

certa esquisofrenia, e o ar rarefeito do quarto, um calor frio lhe toma, emudece a alma, responde, como se lidiasse consigo mesmo, frente ao espelho: o que terá sido de mim, nesse quarto frio? 

a casa, o cubo, o território...

o pequeno quarto, agora é uma selva densa, de mata fechada, e o espelho, uma janela, o eu nu, do homem.

#elcocineroloko

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