Borges sobre a morte, memorias e esquecimento
"Borges, espero que viva mil anos!", ele respondeu "Não há razão para ser tão pessimista".
BORGES: Quero dizer que quando me sinto miserável — e isso é algo que acontece a todos nós com certa frequência — encontro verdadeiro conforto na ideia de que em alguns anos, ou talvez em alguns dias, estarei morto, e então nada de tudo isso importará.
Espero ser completamente apagado. Mas quando penso que minha morte será, talvez, uma mera ilusão, que além da morte continuarei a ser de alguma forma, então me sinto muito infeliz.
Porque, realmente, estou farto de mim mesmo. Agora, se eu continuasse a existir sem nenhuma memória pessoal de ter sido Borges, eu poderia aceitar isso, já que eu poderia ter sido centenas de pessoas antes de nascer de novo, mas todas essas vidas não pesarão sobre mim. os terá esquecido. Então, quando penso na mortalidade, na morte, faço com esperança, com alguma expectativa.
Eu poderia dizer que sinto sede de morte, que quero parar de acordar todas as manhãs e descobrir de novo: bem, aqui estou, tenho que ser Borges de novo."
Em "Borges: o mistério essencial", de Willis Barnstone e Martín Hadis.
"Buscar a serenidade me parece uma ambição mais razoável do que buscar a felicidade. E talvez a serenidade seja uma forma de felicidade"
Jorge Luís Borges (1899 - 1986)
“Também não vou brincar de ser uma pessoa feliz, porque às vezes sou feliz. facilmente verei que sou feliz. "não faltam motivos para o infortúnio. É melhor aceitar com humildade, esses presentes secretos".
Jorge Luis Borges Olhos do Diabo
JORGE LUIS BORGESJORGE Francisco Isidoro LUIS BORGES Acevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e faleceu em Genebra, em 14 de junho de 1986.Antes de falar espanhol, aprendeu com a avó paterna a língua inglesa, idioma em que fez suas primeiras leituras. Em 1914 foi com a família para a Suíça, onde completou os estudos secundários.Em 1919, nova mudança – agora para a Espanha. Lá, ligou-se ao movimento de vanguarda literária do ultraísmo.De volta à Argentina, publicou três livros de poesia na década de 1920 e, a partir da década seguinte, os contos que lhe dariam fama universal, quase sempre na revista Sur, que também editaria seus livros de ficção. Funcionário da Biblioteca Municipal Miguel Cané a partir de 1937, dela foi afastado em 1946 por Perón. Em 1955 seria nomeado diretor da Biblioteca Nacional. Em 1956, quando passou a lecionar literatura inglesa e americana na Universidade de Buenos Aires, os oftalmologistas já o tinham proibido de ler e escrever.Era a cegueira, que se instalava como um lento crepúsculo. Seu imenso reconhecimento internacional começou em 1961, quando recebeu, junto com Samuel Beckett, o prêmio Formentor dos International Publishers – o primeiro de uma longa série.



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