COM FARINHA ARTESANAL, INDÍGENAS MACUXI UNEM TRADIÇÃO E ECONOMIA EM RORAIMA
Isadora Noronha Pereira
A comercialização semanal da farinha artesanal para a Guiana alcança um total aproximado de R$ 8 mil semanais
Na Terra Indígena Manoá Pium, localizada no município de Bonfim, ao norte de Roraima, a produção de farinha artesanal representa uma das principais atividades econômicas e culturais da comunidade indígena Cumaru. Composta por aproximadamente 360 moradores, majoritariamente do povo Macuxi, essa prática é mantida por quase todas as famílias da localidade.
A farinha produzida na comunidade é a do tipo amarela, caracterizada por sua textura grossa, crocante e granulada, que a diferencia das farinhas mais finas populares em regiões como o Sul e o Sudeste do Brasil. É amplamente utilizada como acompanhamento de pratos com peixes e carnes, além de ser ingrediente essencial em preparações típicas, como a tradicional paçoca de carne seca.
Lucro com a farinha artesanal
Além de garantir a subsistência, a atividade fortalece a cultura local e contribui para a valorização do conhecimento tradicional indígena. Mas não para por aí: parte da produção é vendida na sede de Bonfim e também exportada para a Guiana, país que faz fronteira com o Brasil na mesma região, segundo o primeiro tuxaua de Cumaru, Valdiney Souza.
Semanalmente, a comunidade indígena Cumaru comercializa, em média, dez sacas de farinha para a Guiana. Cada uma dessas sacas contém o equivalente a quatro latas de 20 litros de farinha amarela. A lata é vendida por R$ 200, o que significa que cada saca rende um faturamento de R$ 800. Com isso, a comercialização semanal alcança um total aproximado de R$ 8 mil.
“Alguns vem de lá [Guiana] para cá fazer a compra. O pessoal vem de lá comprar e muitas vezes encomenda e o pessoal daqui leva para vender lá [na Guiana]. Nem todos tem roça, tem a mandioca para fazer farinha. Mas, assim mesmo fazemos, vendemos e ajudamos, damos colaboração para algumas famílias também internamente”, explica Souza ao Portal da Amazônia.
Papel educativo e cultural
Valdemar Laurentino, segundo tuxaua da comunidade, destaca que, além de garantir uma importante fonte de renda, o cultivo e a colheita da mandioca para a produção de farinha têm também um papel educativo fundamental. Esse trabalho no campo funciona como uma ferramenta de transmissão de saberes, permitindo que os mais jovens aprendam sobre a importância do trabalho indígena e a valorização da tradição do povo Macuxi.
“É nossa cultura. Vai passando de pai pra filho. Nós, como povos indígenas, vamos passando para o filho”, conclui.
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.





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