🍞 PÃO COM INSETOS? PESQUISA NO MÉXICO CRIA ALIMENTOS MAIS PROTEICO

A Dra. Celeste Ibarra-Herrera, da universidade de Monterrey, avalia que o uso de insetos na alimentação humana é mais sustentåvel e garante segurança alimentar mundial


Por Fernanda Pressinott — SĂŁo Paulo


Preocupada com o acelerado aumento populacional, projetado para ultrapassar 9,7 bilhÔes de habitantes até 2050, e com a consequente demanda por alimentos, a mexicana Dra. Celeste Ibarra-Herrera, lidera um projeto inovador para o desenvolvimento de pão fortificado com farinha de insetos, principalmente do gafanhoto-milpa (Sphenarium purpurascens) e do Tenebrio Molitor.

A pesquisadora Ă© colaboradora do projeto "Segurança Alimentar e Nutricional", que faz parte da Iniciativa de Pesquisa em SaĂșde da Faculdade de Engenharia e CiĂȘncias do TecnolĂłgico de Monterrey, no MĂ©xico.

O método de fermentação da farinha de insetos desenvolvido por ela estå em processo de patente. Ele incorpora o uso de um fungo comestível, que não só melhora a textura e o sabor, como também aumenta o valor nutricional do produto final.

No México, o uso de insetos na alimentação é bem aceito, diferentemente do que ocorre no Brasil. Com a criação de novas receitas de pão, a equipe de pesquisa busca oferecer uma solução nutritiva, com alto valor proteico, sustentåvel e sensorialmente atraente para combater a crise alimentar.

"A crescente pressĂŁo sobre os sistemas alimentares exige alternativas eficientes e sustentĂĄveis. Nesse contexto, os insetos comestĂ­veis surgem como uma opção atraente devido ao seu alto conteĂșdo nutricional e menor impacto ambiental"-Dra. Celeste Ibarra-Herrera

Sustentabilidade

A produção de insetos requer menos consumo de ågua, terra e ração. "Enquanto a produção de um quilo de carne bovina requer aproximadamente oito quilos de ração, os insetos alcançam a mesma produção com apenas dois quilos, liberando recursos valiosos como terra e ågua", observou a Dra. Ibarra-Herrera.

Do ponto de vista ambiental, o impacto positivo é significativo. Dados da Organização das NaçÔes Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que a produção de insetos comestíveis como gafanhotos gera entre 50% e 90% menos emissÔes de gases de efeito estufa, requer até 80% menos ågua e 90% menos terra por quilo de proteína em comparação com a pecuåria tradicional.

Além disso, a equipe de pesquisa destaca o perfil nutricional de insetos como gafanhotos, ricos em proteínas de alta qualidade, åcidos graxos essenciais, minerais essenciais como ferro e zinco, fibra alimentar e compostos bioativos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.


Insetos usados na alimentação humana sĂŁo comuns no MĂ©xico — Foto: Silvia Costanti/Valor

"Esta inovação representa uma oportunidade concreta para as pessoas melhorarem sua dieta diĂĄria de forma simples e acessĂ­vel. Estamos trabalhando para que, com o consumo deste pĂŁo, as pessoas tenham uma fonte de proteĂ­na de alta qualidade em comparação com o pĂŁo tradicional, alĂ©m de aumentar significativamente a ingestĂŁo de ferro, zinco, cĂĄlcio, selĂȘnio e fibra alimentar, nutrientes essenciais cuja deficiĂȘncia continua afetando milhĂ”es de pessoas no MĂ©xico e no mundo", enfatizou a pesquisadora.

Entomofagia

Embora a entomofagia, ou a ingestão de insetos por humanos, seja uma pråtica cultural profundamente enraizada em vårias regiÔes do mundo, incluindo o México, onde gafanhotos, percevejos e larvas de mariposas e de formigas são tradicionalmente consumidos, seu consumo diårio ainda é limitado a certas åreas. O México abriga mais de 500 das mais de 1.600 espécies de insetos comestíveis registradas em todo o mundo.

Esta pesquisa busca ampliar seu consumo por meio de alimentos do dia a dia, como o pĂŁo fatiado. Testes sensoriais realizados no estado de Puebla, onde o consumo de gafanhotos tem uma tradição cultural profundamente enraizada, apresentaram resultados positivos. O pĂŁo fatiado fortificado com farinha de gafanhoto apresentou alta aceitação em sabor, textura e aparĂȘncia entre os participantes.

As versĂ”es enriquecidas com farinha de gafanhoto foram preferidas Ă s feitas com outros insetos, o que ressalta o potencial desse ingrediente especĂ­fico para integração em pĂŁes. O pĂșblico-alvo inicial consiste em indivĂ­duos que buscam aumentar a ingestĂŁo de proteĂ­nas. Estudos mais amplos sĂŁo necessĂĄrios para avaliar a aceitação em diversas regiĂ”es e expandir o mercado.

A pesquisadora explicou que a fermentação dos insetos melhora significativamente a textura e a digestibilidade do pão, com o gafanhoto sendo particularmente aceito em termos de sabor após esse processo. A fermentação também aumenta o teor de proteínas e fibras no produto final, melhorando ainda mais seu perfil nutricional.


Fonte Globo Rural



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