“Estou convencido de que nunca nos acontece nada que não tenhamos previsto, nada para o que não estejamos preparados. Nos tocaram tempos difíceis, como a todos os homens, e é preciso aprender a viver.”

— "Respiração artificial", Ricardo Piglia

📷 Francesc Català Roca

Albaladejo del Cuende. Cuenca.

Ricardo Piglia (1941–2017)


Área: Literatura, crítica literária, ensaio e teoria literária

Nacionalidade: Argentina

Ricardo Piglia foi um dos maiores escritores e intelectuais argentinos do século XX. Sua obra se move entre a ficção e a crítica literária, sempre atravessada por reflexões profundas sobre a escrita, a leitura e a política. Ele é conhecido por romances como Respiração Artificial, A Cidade Ausente e Alvo Noturno.

Piglia também teve grande impacto como pensador da literatura, com ensaios que tratam de autores como Borges, Arlt e Kafka, e foi responsável por divulgar e reinterpretar a literatura argentina no século XX. Em suas aulas e textos, costurava ideias de maneira quase detectivesca, tornando o ato de ler uma investigação sobre o funcionamento da sociedade.

Sua série de Diários de Emilio Renzi (um alter ego), publicados postumamente, oferece uma visão íntima e poderosa de seu processo criativo, sua vida intelectual e seus dilemas pessoais.

Francesc Català-Roca (1922–1998)

Área: Fotografia

Nacionalidade: Espanhol (Catalunha)

Francesc Català-Roca é considerado um dos mestres da fotografia documental espanhola do século XX. Filho do também fotógrafo Pere Català Pic, ele capturou com precisão e poesia a transformação social e urbana da Espanha, especialmente durante os anos do franquismo.

Seu olhar era humanista, próximo, e atento ao cotidiano: ruas, mercados, trabalhadores, festas populares — tudo isso transformado em imagens com grande sensibilidade estética e poder narrativo. Català-Roca foi um dos primeiros a registrar o trabalho de artistas como Miró, Dalí e Tàpies, e sua obra é marcada por um rigor técnico e uma profunda empatia pelo mundo que fotografava.

Sua fotografia em preto e branco capta um tempo em transição, com elegância e honestidade. Ao mesmo tempo em que documenta, também compõe, revelando a beleza do banal e a profundidade do ordinário.

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