COMO FALAR NOS FESTEJOS JUNINOS, SEM LEMBRAR DO BOLO DE AIPIM?

Construímos a memória para, em seguida, esquecê-la. A boa memória é conhecimento — não simples lembrança ou imagem.

Ela precisa ser cultivada, como se cultiva a cultura, como bem nos ensinou Alfredo Bosi.

Conhecimento não é saber.

Saber não é ainda sabedoria.

Tudo se transforma conforme o modo —e o motivo — com que lançamos nosso olhar sobre o mundo.

E como falar em Festas Juninas sem lembrar do Bolo de Aipim?

Impossível.

É como narrar um arraial sem fogueira,

sem sanfona, sem o cheiro da lenha molhada no entardecer.

O Bolo de Aipim — ou macaxeira, mandioca, castelão, dependendo da boca que o chama —é memória assada no forno,doçura que brota da terra, feito pelas mãos que sabem raspar, ralar, coar, e esperar, com paciência, o ponto certo da massa.

Nas festas de junho, quando o milho é rei e a canjica dança, o aipim chega quieto, mas certeiro, com sua textura cremosa, quase uma oração no paladar.

É bolo que alimenta corpo e lembrança, que gruda nos dentes — e no coração.

Ali está ele, entre bandeirolas e promessas,

ao lado do licor de jenipapo, da pamonha de folha,

lembrando que comida de festa é também história de gente.

Festa Junina sem Bolo de Aipim?

Só se for com saudade no prato.

e aprenda a fazer esse verdadeiro patrimônio da culinária nordestina.

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