Cuscuz de Arroz de Penedo será Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Alagoas

Por Roberto Lopes
Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei que considera o “Cuscuz de Arroz de Penedo” como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado de Alagoas. A proposição de autoria do deputado Delegado Leonam (União Brasil) será analisada inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa para em seguida ser votada no Plenário por todos os deputados.
Entende-se por Patrimônio Cultural, os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, em conformidade com o artigo 216 da Constituição Federal.
Cuscuz de Arroz no Quilombo do Surá
Historiando sobre hábitos, costumes e práticas alimentares no Quilombo João Surá.
A comunidade de João Surá se encontra no município de Adrianópolis e está localizada à beira do Rio Pardo no Vale do Ribeira, divisa entre os estados de São Paulo e Paraná. Ela foi a primeira comunidade quilombola a entrar em processo de reconhecimento de terras no Paraná, porém este processo ainda não foi concluído.
Sobre os hábitos culturais tradicionais dos quilombolas, obtiveram-se algumas informações relevantes que marcam as características da comunidade.
A maioria dos hábitos étnicos relativos à alimentação ficou no passado, mas alguns ainda são praticados pelas famílias, como manter a cozinha separada do resto da casa. Criavam porcos, tratavam com milho e usavam a banha para fazer o sabão de cinza (banha, soda e cinza do fogão à lenha). Sentem falta das coisas que não produzem mais.
Antes faziam farinha de milho, de mandioca e rapadura. Agora ainda conseguem fazer canjica, pamonha, bolo, mingau, paçoca e prensada.
Alguns aprenderam a fazer doce de rapadura com os avós. Cuscuz de arroz não se faz mais; muitos comiam, mas não aprenderam a fazer.

O autor do projeto explica que trata-se de uma iniciativa fundamentada na história e tradição dessa iguaria, que atravessa gerações e representa não apenas um alimento, mas também um-símbolo cultural da região. Ainda segundo o deputado, desde sua origem, há mais de 100 anos, o cuscuz de arroz de Penedo tem sido parte integrante da culinária local, transmitido de forma artesanal e cuidadosa de uma geração para outra.
Leonam disse que a história desse prato remonta à bisavó Pureza, passando pela` avó Jaci, a tia Nilde e, atualmente, chegando ao chefe Rodolfo Cavalcante, representando a quarta geração de “fazedores” desse cuscuz.
“Os grãos de arroz são secos e moidos até se transformarem em uma fina farinha, que é então misturada ao bagaço de coco e cozida em cuscuzeiras adaptadas.
Por fim o deputado destacou que além de sua importância gastronômica, o cuscuz de arroz de Penedo desempenha um papel significativo na economia da região com sua produção artesanal e venda por encomenda, contribuindo para a geração de renda e preservação da tradição familiar. “Ao reconhecer o cuscuz, de arroz, de Penedo como um Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial, este projeto de lei visa não apenas valorizar a identidade cultural alagoana, mas também proteger e promover essa tradição única, assegurando sua continuidade e reconhecimento perante as futuras gerações”, disse o deputado Leonam.
Fonte Aquiacontece.com.br
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