Pequeno Dicionario da Cozinha Baiana

Verbete-D Doce de Puta 
As putas ou melhor "senhoras dadas á praticas do sexo fácil?", sempre foram estimadas e elogiadas cozinheiras, ou pelo menos tinham fama de faze-lo gostoso, daí o grande receituário dedicado a elas. 

O Arroz-de-puta-rica ganhou esse nome porque era o preferido de uma das cafetinas de Goiás; uma das mais ricas, claro. No caso do Doce de Banana de Rodinha, o chamado (Doce de Puta) assume ares mais literários, pois para o escritor Jorge Amado, que revela que para ele, sexo sempre foi uma festa, nos mostra seu lado mais humano com esta declaração: fui criado, é uma maneira de dizer, em casa de puta, nos anos 20.  
           A profissão mais antiga do mundo
Era rapazinho: comecei muito cedo minha experiência sexual. Este doce chama-se doce de puta, porque em toda casa de puta daquele tempo tinha doce de rodinha, e um licor de pitanga, de jenipapo, de maracujá, disso ou daquilo, feito pelas freiras do convento das carmelitas. 
Você entrava, e não era uma coisa de você ir pro quarto com a rapariga. Elas ficavam ali e faziam sala. Serviam o licor das freiras, como elas diziam, e serviam o doce de banana de rodinhas. Daí chamarem de doce de puta, tão fácil de fazer que até a puta entre um cliente e outro é capaz de fazer.

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As primeiras festas, meio populares, meio de igreja, são as dos santos casamenteiros já com fogueiras e danças, cujas origens remontam ao século XII na França. 
As funções das festas em nome destes santos popularíssimos, segundo Freyre (1995: 246/7), eram afrodisíacas; e ao seu culto se ligam até práticas e cantigas sensuais. 

São João seria o santo casamenteiro por excelência As sortes que se fazem na noite ou na madrugada de São João, festejado a foguetes, busca-pés e vivas, visavam a união dos sexos, o casamento, o amor que se desejava e não se encontrou ainda. 
A devoção a Santo Antonio voltava-se aos interesses de amor. Por exemplo, as afeições perdidas: os noivos, maridos ou amantes desaparecidos; os amores frios ou mortos. 
Este seria, afirma o autor, um dos santos mais associados às práticas de feitiçaria afrodisíaca no Brasil. 
A imagem desse santo é freqüentemente pendurada de cabeça para baixo dentro da cacimba ou do poço para que atenda às promessas o mais breve possível. 
Os mais impacientes colocam-na dentro de urinóis velhos. 
Já ao culto a São Gonçalo do Amarante ou “São Gonçalinho” se acham ligadas às práticas mais livres e sensuais. 
Em nome deste santo dançou-se e namorou-se muito dentro das igrejas tanto aqui quanto em Portugal. Na cidade da Bahia, dançava-se dia de São Gonçalo no convento do Desterro, na ermita de Nazareth, nas igrejas de São Domingos, do Amparo, bem como em várias outras. Sua especialidade seria de arrumar marido ou amante para as velhas, como São Pedro a de casar as viúvas. 

São Gonçalinho e as Prostitutas
Mas quase todos os amorosos recorriam às danças de amor e fecundidade de São Gonçalinho (Freyre, 1995: 249) Danças desenvolvidas ao redor da imagem do santo. [...] Violas tocando. Gente cantando. Barracas. Muita comida. Exaltação sexual. Todo esse desadoro - por três dias e no meio da mata. De vez em quando, hinos sacros. 

Uma imagem do santo tirada do altar andou de mão em mão, jogada como uma peteca de um lado para o outro. Exatamente - notou La Barbinais - ‘o que outrora faziam os pagãos num sacrifício especial anualmente oferecido a Hércules, cerimônia na qual fustigavam e cobriam de injúrias a imagem do semideus. 
São Gonçalo, nascido em Tagilde, em 1187, estudou rudimentos com um devoto sacerdote. 
Depois, freqüentou a escola arqui-episcopal em Braga. 
Após ordenado sacerdote, foi nomeado pároco de São Paio de Vizela foi a Roma e Jerusalém. No regresso, São Gonçalo passou por um período de busca interior e encontrou na experiência popular a maneira de converter pecadores. Conta-se que São Gonçalo para reabilitar as prostitutas, vestia-se de mulher e dançava e cantava com elas a noite toda. Ele entendia que as mulheres que participassem dessas danças aos sábados não cairiam em tentação no domingo. Acreditava ainda, que com o tempo se converteriam e se casariam. São Gonçalo pregou e operou supostos milagres por todo o norte de Portugal. Sobre o rio Tâmega construiu uma ponte. São Gonçalo morreu no dia 10 de janeiro de 1259 em Amarante, no Douro, à margem direita do rio Tâmega, em Portugal. Após sua morte, passou a ser protetor dos violeiros, remédio contra as enchentes, além de casamenteiro. Ele foi canonizado em 1561. O rei de Portugal D. João III, um grande devoto, foi um dos primeiros a empenhar-se para a beatificação de São Gonçalo em Roma. Em Portugal a sua festa é realizada em Amarante, no dia 7 de junho e dedicam-lhe uma semana de festejos, com procissões, bandas de música, folguedos populares e outros.  
As festas em agravo aos santos, protetores do amor e da fecundidade entre os homens, estavam relacionadas à agricultura. Principalmente, para socorrer em tempos de estiagem, mergulhando o santo na água, ou no tempo das cheias ou inundações. Estas festas eram agrícolas por excelência: festa do milho, da pamonha, da canjica, do bolo. Tais festas assemelham-se, como chama atenção o viajante, a ritos pagãos regrados a comidas, músicas, danças e, principalmente, exaltação sexual. Festas em devoção aos santos casamenteiros, segundo Freyre (1995: 249/50), misturadas de elementos orgiásticos africanos foram incorporadas pelo catolicismo português na colônia, mas cujo resíduo pagão característico fora trazido de Portugal     

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