A carne de bode é bem leve, garantem os especialistas, compatível com os mandamentos da vida saudável

Apesar de ainda haver muito preconceito em relação a carne de Bode, no nordeste, cresce a oferta de cortes especiais e derivados como salsichas, hambúrgueres, presunto, etc. 
Vemos muito desenvolvimento no processamento de defumados e embutidos já criou dezenas de produtos, como bisteca de cabrito defumado, lingüiça mista de
cabrito/carneiro, patês variados, além disso a Bahia começou a produzir os primeiros queijos finos de cabra (alguns mais sofisticados, batizados de patê de chèvre — cabra, em francês —, para nichos de mercado de maior poder aquisitivo), baianos, produzidos conforme as normas sanitárias exigidas pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), já começaram ser produzidos no município de Juazeiro, no norte do estado.

Juazeiro é considerada a terra do Bode, um dos mais importantes municípios do estado da Bahia (BA). 
Banhado pelo rio São Francisco, com uma área de mais de seis mil quilômetros quadrados, abriga cerca de 200 mil habitantes. Este ano, a cidade comemora 136 anos de emancipação política e encanta a todos que a visitam com suas histórias e belezas naturais. O nome é derivado de uma árvore nativa, predominante na região nordeste do Brasil, encontrada principalmente em áreas secas, de clima semiárido e presença de Caatinga. 
Conta-se que, num determinado ponto da margem direita do rio São Francisco, existia uma árvore frondosa, com copa grande e densa, carregada de folhas pequenas e frutos amarelos, alta e de muita sombra – um pé de juá. 
Os boiadeiros a transformaram em ponto de descanso, chamando o lugar de Passagem do Juazeiro. 
No semiárido nordestino, onde o solo é seco para o plantio e pobre para alimentar os animais, quem reina absoluto é o bode. Resistente, o animal se adaptou às condições adversas da região e é destaque da economia local. Nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), o rebanho chega a 300 mil cabeças e o consumo é o maior do País – cada pessoa come cinco quilos por ano, 20 vezes mais que a média nacional. 
Ali, ele serve de sustento a várias famílias, que aproveitam a carne, o leite, o couro e até os chifres. 
A sinergia é tanta que inspirou um sugestivo ditado: naquelas paragens, não se sabe se é o homem que cria o bode ou se é o bode que cria o homem. Essa característica popular, no entanto, está prestes a mudar. 
Alguns criadores começam a importar matrizes estrangeiras para aperfeiçoar a raça e planejam conferir ao caprino da região uma qualidade internacional. "Em breve, a carne de bode será uma iguaria, um item sofisticado consumido em restaurantes de luxo", diz José Ramos da Silva Filho, um dos que investem na inovação. 
Para alcançar esse resultado, Ramos cria seu rebanho pela cartilha orgânica, leva em consideração as fases da lua e dispensa vermífugos químicos para tratar seus animais à base de chás de goiabeira e macela. Um luxo só. 
Vinho e carne de bode são atrações 
O município de Juazeiro é um dos produtores de vinho do País, e a sua gastronomia é reconhecida por um de seus pratos regionais típicos: a carne de bode, encontrada na maioria dos restaurantes da cidade. 
Outras atrações gastronômicas da região são o carneiro, a carne do sol e peixes como o Cari e o Surubim, além da macaxeira (aipim) frita na manteiga. A cidade possui um cenário histórico e belezas naturais que surpreendem quem a conhece. 
A orla fluvial, com uma extensão de aproximadamente 2 km, é ótima para quem deseja passear, relaxar e ver o sol se por nas águas do Velho Chico. Outras atrações turísticas são o Vapor Saldanha Marinho (Vaporzinho), primeira embarcação movida a vapor a navegar pelas águas do rio São Francisco, e o Museu Regional do São Francisco, que possui um acervo regional constituído de quase cinco mil peças, entre fotografias e estandartes, documentos, medalhas, quadros de pinturas, réplicas de carrancas e móveis do século XIX. A ponte Presidente Dutra, construída na década de 1950 para ligar os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE); as ilhas fluviais, grutas e cachoeiras; o Parque Lagoa de Calu, um espaço de lazer e entretenimento que possui bares, restaurantes, parque infantil e quadras esportivas; a Catedral, inaugurada em 1954; a Casa do Artesão, onde são produzidas peças artesanais que representam a história do município; e o Centro de Cultura João Gilberto também são atrações turísticas oferecidas pela cidade. 
Frutas para exportação 
A cidade de Juazeiro também é conhecida como a capital da irrigação, devido à sua forte economia baseada na agricultura irrigada. O rio São Francisco é o responsável pelo desenvolvimento da cidade, tornando-a uma das maiores exportadoras de frutas tropicais. O “Oásis do Sertão” também se estabeleceu como um entreposto comercial de hortifrutigranjeiros, com destaque para o mercado do produtor. Também é sede de uma das maiores usinas de cana-de-açúcar da Bahia, além de ser referência no que diz respeito às novas vinícolas que produzem vinhos comercializados no Brasil e no exterior.

Comercio Solidário 
O Cesol tem forte atuação na promoção da uma das ações inclusão socioprodutiva da região, fomentando a economia solidaria, promovendo ações destinadas a pequenos agricultores familiares e o empreendedorismo. 

O Centro Público de Juazeiro – que se soma aos sete já em funcionamento na capital e outras regiões do estado, é um espaço multifuncional, de caráter comunitário, para atender aos empreendimentos coletivos e solidários, prestando assistência técnica. Conta ainda, com espaço próprio para comercialização dos produtos, além de articular oportunidades de geração, fortalecimento e promoção do trabalho coletivo baseado na Economia Solidária.
Atualmente, a equipe multidisciplinar do Cesol de Juazeiro, está trabalhando com quatro empreendimentos coletivos: Associação das Masseiras do Sertão, Cooperativa de Catadores de Material Reciclável – Cooperfitz, Associação dos Artesãos de Juazeiro e Associação Nova Jatobá. Até o final do ano, deverá atender mais de 70 empreendimentos, além da venda de produtos alimentícios, produzidos na região.


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