DIÁSPORA ALIMENTAR: CONEXÕES ENTRE MARSEILLE, BRASIL E ÁFRICA

Setembro chegou, e com ele celebramos o mês dedicado à Culinária Tradicional da Bahia, memória viva de sabores, saberes e histórias que atravessam gerações. Entre esses símbolos, o Caruru de Sete Meninos se destaca como patrimônio imaterial, representando pertencimento, resistência e identidade coletiva.

É nesse espírito que exploramos a diáspora alimentar: as conexões profundas entre Marseille, o Brasil e a África, territórios unidos pela circulação de alimentos, técnicas e tradições culinárias. Mais do que receitas, essas conexões revelam histórias de encontros, trocas culturais e resiliência, mostrando como a alimentação pode ser também um território de memória, afeto e resistência.

Celebrar essas trocas é reconhecer a força da culinária como ponte entre continentes, reafirmando raízes e abrindo caminhos para novas formas de sabor, conhecimento e pertencimento.

Durante minha estadia em Marseille, como parte do projeto de intercâmbio Cozinhas de l’Extraordinaire, organizado por Les Grandes Tables, aprofundo minhas pesquisas de campo em torno da #CulturaAlimentar como instrumento de transformação. 

Mais do que um estudo sobre receitas ou ingredientes, meu trabalho busca compreender a culinária como uma ferramenta de integração, troca de saberes e reconexão com territórios, resgatando práticas ligadas à produção local, à agricultura sustentável e à identidade cultural — especialmente em diálogo com comunidades quilombolas no Brasil.

Conhecer pessoas como @Chef Yass, @Chef Mustapha Kachetel, @Chef Hamza, Siti e Abdalla tem sido essencial para o fortalecimento cultural dessa experiência. 

No entanto, tais encontros também revelam uma urgência: é preciso olhar para os desafios da Soberania Alimentar e Nutricional que afetam tanto o Brasil quanto o continente africano. 

A questão não se limita ao acesso a alimentos, mas à valorização de sistemas alimentares tradicionais e à preservação de conhecimentos que resistem frente à homogeneização global.

Marseille, cidade portuária histórica e multicultural, sintetiza esse debate. Nos bairros como Noailles, onde se encontram especiarias africanas, produtos do Magrebe e ingredientes asiáticos, vemos a riqueza da diáspora alimentar que moldou a cidade e a França. 

Para mim, essa diversidade não é apenas um retrato do presente: é também um espelho do passado, que revela como a diáspora africana foi determinante na formação da culinária tradicional da Bahia, estabelecendo pontes entre territórios, memórias e práticas alimentares.

A experiência francesa evidencia como a imigração introduziu novos ingredientes, técnicas e sensibilidades que transformaram a gastronomia local. Esse processo dialoga diretamente com a história da Bahia, onde saberes e sabores africanos, indígenas e europeus se entrelaçaram, originando uma culinária de identidade singular, marcada pela força da memória e da resistência cultural.

Nesse sentido, iniciativas como as da organização Echosud, com eventos como as Rencontres des Cuisines Africaines, são fundamentais. 

Elas promovem o diálogo intercultural por meio da comida, valorizando a participação das mulheres e a riqueza dos produtos africanos. 

Acompanhar essas práticas reforça minha convicção da importância de pesquisar, preservar e transmitir os saberes da culinária afro-brasileira, conectando-os à nossa memória coletiva e aos territórios que sustentam essa tradição.

Por outro lado, o contraste entre riqueza cultural e desigualdade no acesso a alimentos frescos e nutritivos mostra que a comida também é política. 

Iniciativas de organizações como a Ordre de Malte France e a Action contre la Faim destacam que alimentação vai além da nutrição: é coesão social, saúde comunitária e dignidade, uma realidade que também se repete no Brasil, especialmente em comunidades periféricas e quilombolas.

Minha experiência em Marseille reafirma que a culinária é muito mais do que comida: é identidade, memória e resistência. Reconhecer o papel da diáspora africana na formação da culinária baiana não é apenas um gesto de valorização cultural, mas um ato político e histórico, que fortalece vínculos entre territórios, pessoas e saberes que atravessam oceanos e tempos.




@Elcocineroloko


DIASPORA ALIMENTAIRE : CONNEXIONS ENTRE MARSEILLE, BRÉSIL ET AFRIQUE

Pendant mon séjour à Marseille, dans le cadre du projet d’échange Cuisines de l’Extraordinaire, organisé par Les Grandes Tables, j’approfondis mes recherches de terrain autour de la #CultureAlimentaire comme instrument de transformation.
Plus qu’une étude sur des recettes ou des ingrédients, mon travail cherche à comprendre la cuisine comme un outil d’intégration, d’échanges de savoirs et de reconnexion avec les territoires, en valorisant les pratiques liées à la production locale, à l’agriculture durable et à l’identité culturelle — en particulier en dialogue avec les communautés quilombolas au Brésil.

Rencontrer des personnes comme @Chef Yass, @Chef Mustapha Kachetel, @Chef Hamza, Siti et Abdalla a été essentiel pour le renforcement culturel de cette expérience.
Cependant, ces rencontres révèlent aussi une urgence : il est nécessaire de se pencher sur les défis de la Souveraineté Alimentaire et Nutritionnelle qui concernent à la fois le Brésil et le continent africain.
La question ne se limite pas à l’accès à la nourriture, mais touche aussi à la valorisation des systèmes alimentaires traditionnels et à la préservation des savoirs qui résistent face à l’homogénéisation mondiale.

Marseille, ville portuaire historique et multiculturelle, illustre parfaitement ce débat.
Dans des quartiers comme Noailles, où se côtoient épices africaines, produits du Maghreb et ingrédients asiatiques, on perçoit la richesse de la diaspora alimentaire qui a façonné la ville et, au-delà, la France.
Pour moi, cette diversité n’est pas seulement un reflet du présent : elle est aussi un miroir du passé, révélant comment la diaspora africaine a été déterminante dans la formation de la cuisine traditionnelle de Bahia, en tissant des ponts entre territoires, mémoires et pratiques alimentaires.

L’expérience française montre combien l’immigration a introduit de nouveaux ingrédients, techniques et sensibilités qui ont transformé la gastronomie locale.
Ce processus fait directement écho à l’histoire de Bahia, où savoirs et saveurs africains, indigènes et européens se sont entremêlés pour donner naissance à une cuisine d’identité singulière, marquée par la mémoire et par la résistance culturelle.

Dans ce sens, des initiatives comme celles de l’organisation Echosud, avec des événements tels que les Rencontres des Cuisines Africaines, sont fondamentales.
Elles favorisent le dialogue interculturel à travers la cuisine, valorisent la participation des femmes et mettent en lumière la richesse des produits africains.
Observer ces pratiques renforce ma conviction sur l’importance de rechercher, préserver et transmettre les savoirs de la cuisine afro-brésilienne, en les reliant à notre mémoire collective et aux territoires qui les portent.

Par ailleurs, le contraste entre la richesse culturelle et les inégalités d’accès à une alimentation fraîche et nutritive démontre que la nourriture est aussi politique.
Les initiatives d’organisations telles que Ordre de Malte France et Action contre la Faim soulignent que l’alimentation dépasse la simple nutrition : elle est cohésion sociale, santé communautaire et dignité, une réalité que l’on retrouve également au Brésil, notamment dans les communautés périphériques et quilombolas.

Mon expérience à Marseille réaffirme que la cuisine est bien plus que de la nourriture : c’est identité, mémoire et résistance.
Reconnaître le rôle de la diaspora africaine dans la formation de la cuisine bahianaise n’est pas seulement un geste de valorisation culturelle, mais un acte politique et historique, qui renforce les liens entre territoires, personnes et savoirs qui traversent océans et époques.

@Elcocineroloko



Comentários

Postagens mais visitadas