DEPOIS DO SUCESSO DO KUKUSSI NA SEXTA, FOI A VEZ DO CUSCUZ COM MARISCADA BRILHAR NO LA FRICHE.
Depois do sucesso do Kukussi na sexta, foi a vez do Cuscuz com Mariscada brilhar no La Friche.
Essa experiência só foi possível graças ao aporte do Flocão da Cooperativa de Irecê (Copirêce), trazido especialmente pela presidenta Zene Vieira, mulher que lidera com firmeza e sensibilidade uma rede de agricultoras que transformam o milho em alimento, renda e autonomia.
Vieram vinte quilos do mais puro e saboroso milho da região, carregando consigo o trabalho coletivo e a força das mulheres do campo.
Foi fascinante introduzir em Marselha esse alimento tão simbólico para nós, e ao mesmo tempo ampliar o olhar do público local sobre o cuscuz. Aqui, todos conhecem o cuscuz de sêmola de trigo. Expliquei, então, que no Brasil o cuscuz de milho é unanimidade — está presente de norte a sul, alegrando as mesas e aquecendo memórias. Disse também que, embora seja tradicionalmente consumido no café da manhã, nada impede que ele transborde essa tradição e se reinvente em outras refeições.
O prato da noite, Cuscuz com Mariscada, uniu duas forças icônicas de nossa culinária: a simplicidade generosa do milho e a potência do mar. Foi um encontro de territórios e saberes, que emocionou os paladares e reafirmou como nossas tradições alimentares podem viajar, resistir e florescer em qualquer lugar.
Ontem também conheci Sarah L., que realiza um trabalho incrível de organização de bancos de sementes crioulas com mulheres nos campos argelinos. Tivemos pouco tempo para conversar, mas já ficou o desejo de um próximo encontro: provar juntas o Cuscuz Verde feito com ervas das montanhas, um preparo profundo, que carrega consigo ancestralidade e exige ritualização.
Entre o milho das mulheres da Bahia e as sementes crioulas guardadas pelas mulheres da Argélia, nasceu um gesto de reconhecimento mútuo.
Foi como se os grãos atravessassem o oceano para se reencontrar, lembrando que o alimento é ponte, memória e futuro.
O cuscuz, seja no sertão ou nas montanhas, é mais do que comida: é território, é afeto, é resistência.
E quando as mulheres se encontram para guardá-lo e reinventá-lo, o mundo inteiro pode se sentar à mesa.
#ElCocineroLoko
Après le succès du Kukussi vendredi, ce fut au tour du Couscous aux Fruits de Mer de briller à La Friche.
Cette expérience n’a été possible que grâce à l’apport de la semoule de maïs de la Coopérative d’Irecê (Copirêce), apportée spécialement par sa présidente Zene Vieira, une femme qui dirige avec force et sensibilité un réseau d’agricultrices transformant le maïs en nourriture, en revenu et en autonomie.
Vingt kilos du maïs le plus pur et le plus savoureux de la région sont arrivés, porteurs du travail collectif et de la puissance des femmes des champs.
Ce fut fascinant d’introduire à Marseille cet aliment si symbolique pour nous, et en même temps d’élargir le regard du public local sur le couscous. Ici, tout le monde connaît le couscous de semoule de blé. J’ai donc expliqué qu’au Brésil, le couscous de maïs est une unanimité — présent du nord au sud, il enchante les tables et réveille les mémoires. J’ai également précisé que, bien qu’il soit traditionnellement consommé au petit déjeuner, rien n’empêche qu’il déborde cette coutume pour se réinventer dans d’autres repas.
Le plat de la soirée, Couscous aux Fruits de Mer, a uni deux forces emblématiques de notre cuisine : la simplicité généreuse du maïs et la puissance de la mer. Ce fut une rencontre de territoires et de savoirs, qui a ému les palais et réaffirmé combien nos traditions culinaires peuvent voyager, résister et fleurir partout.
Hier, j’ai aussi rencontré Sarah L., qui réalise un travail remarquable d’organisation de banques de semences paysannes avec des femmes dans les champs algériens. Nous avons eu peu de temps pour échanger, mais le désir d’une prochaine rencontre est né : goûter ensemble le Couscous Vert aux herbes des montagnes, une préparation profonde, chargée d’ancestralité et qui demande une véritable ritualisation.
Entre le maïs des femmes de Bahia et les semences paysannes gardées par les femmes d’Algérie, un geste de reconnaissance mutuelle est apparu. C’était comme si les grains traversaient l’océan pour se retrouver, rappelant que l’aliment est pont, mémoire et avenir.
Le couscous, qu’il vienne du sertão ou des montagnes, est plus qu’un repas : il est territoire, affection, résistance.
Et lorsque les femmes se rencontrent pour le garder et le réinventer, le monde entier peut s’asseoir à la table.



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