Instituto de Geociências da Ufba promove Seminários para debater a Crise da Cultura do Dendê

Não por acaso, diz-se que nesse território a comida de rua é sagrada. Isso porque os quitutes populares, como o acarajé e o abará, extrapolaram o espaço dos terreiros para ganhar as ruas da cidade – sob a bênção e o veredicto dos Orixás, que permitiram às suas filhas comercializarem os alimentos para garantir a liberdade de seu povo, nos séculos XVIII e XIX. Em 2012, o ofício da baiana de acarajé foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Imaterial da Bahia.
Nas últimas décadas, grandes extensões de plantio de azeite de dendê espalharam-se pelos países pobres para garantir a extração do óleo, muito utilizado pela indústria de ultraprocessados. Hoje, Indonésia e Malásia são os maiores produtores. Isso fez do dendê o terror de populações tradicionais na Ásia e na América Central, onde as grandes fazendas tiveram forte impacto ambiental e passaram a competir com a produção de alimentos.
Mas, no Brasil, o significado é bastante diferente. Especialmente na Bahia. Embora o estado do Pará seja o maior produtor, entre os baianos o dendê deriva de um processo agroecológico e regional, com a espécie tradicional do dendê dura (a árvore mais alta do dendezeiro e a mais encontrada em solos baianos) como herança direta da ancestralidade africana. Só que, nos últimos anos, a produção do no estado caiu drasticamente. Entre 2015 e 2019, passou de mais de 204 mil toneladas do fruto para apenas 38 mil, uma redução de mais de 80%, gerando a escassez do azeite e uma escalada dos preços.
Comentários
Postar um comentário