Pequeno Dicionario da Cozinha Baiana
Verbete-M
Moqueca de Folha
A moqueca (do quimbundo mu'keka) ou poqueca (do tupi po'keka) é um preparação típica da culinária baiana.
Os índios já faziam moquecas há muito, muito tempo e no encontro com os africanos e seus guisados se configurou esta que talvez seja o maior símbolo da comida baiana, junto com o Acarajé.
Na linguagem autóctone designa um cozinhado envolto em folha.
As inúmeras palmeiras da flora brasileira, entre as quais o babaçu, a carnaubeira, o buriti ou miriti, a ouricuri, a inajá, foram bastante usadas pelos indígenas na sua alimentação, além disso as folhas também serviam de suporte para a embalagem de preparações moqueadas, ou mesmo salgadas como é o caso da "Xagó", preparados com pequenos peixes como a sardinha, o lambari ou a petitinga, onde eles são salgados e secos sob a terra e sobre eles braseiro de carvão.
Moquear: envolver a caça ou o guerreiro vencido em folha e cozinhar no moquém, uma grelha de varas sobre o fogo.
E tudo virou moqueca." daqui o moquém, uma técnica de assado envolto em folha e feito sobre a brasa; de onde provem o termo "Moqueca".
O moquém em língua tupi significa algo como "secador" para tostar a carne" uma técnica legada pelos indígenas para a conservação dos alimentos.
Moqueca na Bahia assume diversas formas e sabores, este papelote é a marca de Mangue Seco, uma iguaria feita com o Aratu, um marisco típico e super saboroso.
Na praia de Mangue Seco pudemos constatar a simplicidade e o sossego. As moquecas são vendidas nas praias.
MOQUECA DE PEIXE
Durante muitos anos ficou adormecida nas gavetas de um arquivo europeu uma curiosíssima carta do Padre Luís *de Gram, membro da companhia de Jesus, datada de 1554, e que é provavelmente o primeiro documento a se referir ao moquém, à carne moqueada.
Segundo o Padre Gram, os índios brasileiros se valiam dessa forma de preparar a carne - assada na labareda - quando se dispunham a "comer alguma carne humana."
Vários relatos corroboram, ao longo do tempo, a afirmação de Luís Gram.
Luís da Gram destacava-se por ser um “língua”, ou seja, um padre que conseguia falar com os indígenas e se fazer entender, um intérprete.
Devido a este talento e habilidade, que não era atributo da maioria dos clérigos, mas apenas de um número reduzido, era muito requisitado para se comunicar com índios das diversas localidades na colônia, fazer visitas e auxiliar na conversão.
Observamos a falta de padres com esta habilidade
numa carta escrita por Manuel da Nóbrega, queixando-se: “escreve-me o padre Luís da Gram que agora não pode mais que um irmão língua por companheiro, para se lá ordenar, que é o irmão Chaves, uma cousa boa, e pede-me que mande quem daqueles irmãos tenha cuidado, pelo qual será forçado de quatro que aqui estamos que aqui há de fazer muita falta”.
Até em localidades mais povoadas, como era o caso da capitania da Bahia, havia falta de intérpretes.
Contudo, algumas receitas também remetem ao fato de os índios se valerem de outras carnes no preparo de seu moquém.
O Padre Fernão de Cardim, um fino observador, escreveu em 1584: "Eles nos deram a acear de sua pobreza peixinhos de moquém, isto é, assados, batatas, cará, mangará e outras frutas da terra?"
E o Padre Monteiro, em carta escrita quase um século depois, em 1610, foi ainda mais longe, dando livre curso ao seu entusiasmo pela dieta indígena:
"A carne de moquém", garante, "se vai assando com tal têmpera, que leva vantagem a toda (?) a mais invenção do assado, na limpeza e na ternura e sabor."
Encontramos também no Recôncavo baiano, inúmeras citações sobre a moqueca de folha, feita com petitinga, chicharro do Paraguacu, envoltas em folhas de banana ou de dendezeiro. As folhas, sementes e raízes da bananeira tem várias propriedades medicinais, usados para parar o sangramento rápido, curar feridas e cortes, para desinfectar e reduzir a inflamação. Infusão e suco tomadas internamente para lidar com uma tosse, tem diurético, laxante, diarreica, efeito analgésico e sedativo.
A moqueca é a carne de aratu cozida e desfiada temperada com cominho, coentro e pimentão e embalada em folhas de palmeira de licuri, o gosto bem parecido com siri e o gosto do cominho é bem marcante, é um ótimo aperitivo para ser consumido com uma boa cervejinha gelada!!
A moqueca (do quimbundo mu'keka) ou poqueca (do tupi po'keka) é um preparação típica da culinária baiana.
Os índios já faziam moquecas há muito, muito tempo e no encontro com os africanos e seus guisados se configurou esta que talvez seja o maior símbolo da comida baiana, junto com o Acarajé.
Na linguagem autóctone designa um cozinhado envolto em folha.
As inúmeras palmeiras da flora brasileira, entre as quais o babaçu, a carnaubeira, o buriti ou miriti, a ouricuri, a inajá, foram bastante usadas pelos indígenas na sua alimentação, além disso as folhas também serviam de suporte para a embalagem de preparações moqueadas, ou mesmo salgadas como é o caso da "Xagó", preparados com pequenos peixes como a sardinha, o lambari ou a petitinga, onde eles são salgados e secos sob a terra e sobre eles braseiro de carvão.
Moquear: envolver a caça ou o guerreiro vencido em folha e cozinhar no moquém, uma grelha de varas sobre o fogo.
E tudo virou moqueca." daqui o moquém, uma técnica de assado envolto em folha e feito sobre a brasa; de onde provem o termo "Moqueca".
O moquém em língua tupi significa algo como "secador" para tostar a carne" uma técnica legada pelos indígenas para a conservação dos alimentos.
Moqueca na Bahia assume diversas formas e sabores, este papelote é a marca de Mangue Seco, uma iguaria feita com o Aratu, um marisco típico e super saboroso.
Na praia de Mangue Seco pudemos constatar a simplicidade e o sossego. As moquecas são vendidas nas praias.
MOQUECA DE PEIXE
Durante muitos anos ficou adormecida nas gavetas de um arquivo europeu uma curiosíssima carta do Padre Luís *de Gram, membro da companhia de Jesus, datada de 1554, e que é provavelmente o primeiro documento a se referir ao moquém, à carne moqueada.
Segundo o Padre Gram, os índios brasileiros se valiam dessa forma de preparar a carne - assada na labareda - quando se dispunham a "comer alguma carne humana."
Vários relatos corroboram, ao longo do tempo, a afirmação de Luís Gram.
Luís da Gram destacava-se por ser um “língua”, ou seja, um padre que conseguia falar com os indígenas e se fazer entender, um intérprete.
Devido a este talento e habilidade, que não era atributo da maioria dos clérigos, mas apenas de um número reduzido, era muito requisitado para se comunicar com índios das diversas localidades na colônia, fazer visitas e auxiliar na conversão.

Até em localidades mais povoadas, como era o caso da capitania da Bahia, havia falta de intérpretes.
Contudo, algumas receitas também remetem ao fato de os índios se valerem de outras carnes no preparo de seu moquém.
O Padre Fernão de Cardim, um fino observador, escreveu em 1584: "Eles nos deram a acear de sua pobreza peixinhos de moquém, isto é, assados, batatas, cará, mangará e outras frutas da terra?"
E o Padre Monteiro, em carta escrita quase um século depois, em 1610, foi ainda mais longe, dando livre curso ao seu entusiasmo pela dieta indígena:
"A carne de moquém", garante, "se vai assando com tal têmpera, que leva vantagem a toda (?) a mais invenção do assado, na limpeza e na ternura e sabor."
Encontramos também no Recôncavo baiano, inúmeras citações sobre a moqueca de folha, feita com petitinga, chicharro do Paraguacu, envoltas em folhas de banana ou de dendezeiro. As folhas, sementes e raízes da bananeira tem várias propriedades medicinais, usados para parar o sangramento rápido, curar feridas e cortes, para desinfectar e reduzir a inflamação. Infusão e suco tomadas internamente para lidar com uma tosse, tem diurético, laxante, diarreica, efeito analgésico e sedativo.
A moqueca é a carne de aratu cozida e desfiada temperada com cominho, coentro e pimentão e embalada em folhas de palmeira de licuri, o gosto bem parecido com siri e o gosto do cominho é bem marcante, é um ótimo aperitivo para ser consumido com uma boa cervejinha gelada!!
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