Tradições e pratos que marcam a celebração Páscoa Judaica

Conheça o feriado judaico similar à Páscoa, em que o bacalhau e o chocolate dão a vez ao matzá e ao keará.

Enquanto os cristãos estiverem aproveitando a mesa farta de bacalhau e outros frutos do mar, os judeus estarão se preparando para o seder, o jantar que marca o início do Pessach.


Rito da passagem

A palavra pessach é de origem hebraica e significa passagem. Enquanto, a Páscoa representa a ressurreição de Cristo, a data judaica celebra a travessia do povo hebreu pelo Mar Vermelho. 

O calendário judeu (ou calendário hebraico) é conhecido por ser um calendário lunissolar, isto é, que se baseia nos ciclos da Lua e do Sol. 

A Páscoa judaica é comemorada anualmente no dia 14 de nissan (ou nisã), pelo fato de que a primeira Páscoa comemorada pelos judeus, enquanto eram escravos no Egito, aconteceu nos dias 14 e 15 de nissan, há cerca de 3500 anos.

Segundo Renato Athias, o Sêder (literalmente: ordem/sequência) de Pessach é provavelmente o mais festejado e a mais amada das celebrações judaicas públicas e domésticas. Muitos judeus têm memórias de família que se passaram em um sêder de Pessach.
Acredita-se que a obrigação de contar o evento da saída do Egito tenha sido observada pelos judeus desde o tempo do próprio êxodo.
O preceito de recontar os eventos da saída do Egito aos nossos filhos e netos está escrito na Torah em Shemot 13: 8, e é interpretado como uma Mitzvá positiva. Um dos quatro nomes[2] para Pessach, é com certeza, o aspecto mais enfatizado por todos durante o sêder e nos oito dias da festividade: o Chag ha-Herute, o feriado da liberdade.

A liberdade é um dos temas principais do sêder.
Esta celebração permite que os judeus pensem no Eterno juntamente com a tefilá, o estudo e, sobretudo, participando do sêder que, na realidade, é essencialmente uma lição de memória, de literatura e de tradições judaicas.
A performance das pessoas que participam de uma mesa no sêder permite reviver simbolicamente e indiretamente as emoções da saída do Egito.
Existem alguns elementos essenciais no séder que permitem alimentar essa memorialização do êxodo.
Os três elementos fundamentais são as noções de família, de indivíduo e a de coletividade. Como um evento em casa, envolvendo toda a família e convidados, o séder reúne todas as faixas etárias. Requer a participação de idosos, jovens e crianças.

No nível individual, o séder de Pessach exige que todo participante sinta que pessoalmente saiu do Egito, simbolizando o primeiro passo em direção à liberdade da escravidão e, em seguida a formação do povo judeu.

A primeira Páscoa aconteceu no contexto da escravidão dos hebreus no Egito. 

Esses, originários de Abraão, estabeleceram-se em Canaã e, depois de um tempo de seca e falta de alimentos, mudaram-se para o Egito, local no qual acabaram sendo escravizados. A libertação dos hebreus foi realizada por Moisés, logo após a execução das dez pragas no Egito, segundo a narrativa judaica.

A Páscoa judaica aconteceu pouco antes da execução da décima praga, na qual o anjo da morte desceu ao Egito e matou todos os primogênitos daquela terra. 

O anjo da morte só não passou pelas casas daqueles que haviam seguido as ordens de Javé realizando a festa, da forma conforme havia sido ordenada, e passando o sangue do cordeiro nos umbrais de suas portas.

Após a décima praga, os hebreus foram libertos da escravidão e autorizados a retornarem para Canaã. 

A primeira Páscoa, ou Pessach, celebrada pelos judeus, ainda no período do cativeiro no Egito.

Embora todos os ingredientes das receitas sejam ‘Casher para Pêssach’, cada comunidade possui seus próprios costumes do que deve ou não usar em Pêssach.

Os seis alimentos simbólicos

Outra tradição do Pessach é montar keará, um prato que contém seis ingredientes simbólicos do judaísmo. “Hoje em dia se tornou algo mais simbólico, os judeus montam e deixam como decoração durante o seder”.

  • Ovo (betsá) – simboliza o ciclo da vida;
  • Osso tostado com carne (zerá) – representa o cordeiro que era oferecido como sacrifício especial na véspera do êxodo do Egito;
  • Ervas amargas (maror) e alface romana (chazeret) – relembra a época amarga de escravidão;
  • Salsão mergulhado em água salgada (karpas) – simboliza as lágrimas dos judeus;
  • Mistura de maçã, nozes e vinho (keará) – remete ao aprendizado que, mesmo em tempos difíceis, não pode ser esquecido;
  • Matzá – é o pão da fé, da liberdade e da redenção

Comentários

Postagens mais visitadas